LIÇÕES DE MESTRE GRAÇA

Assim como Graciliano, não sou dada a releituras. Uma das exceções dele foi Menino de Engenho, escrito por Zelins, como chamava José Lins do Rego, seu grande amigo. Uma das minhas exceções é este livro, Graciliano: retrato fragmentado, escrito por seu filho, Ricardo Ramos.

Entre lembranças aleatórias sem compromisso com a cronologia, realmente fragmentadas, conhecemos o pai, o filho, o marido, o escritor, o amigo, o alagoano, o engajado, o ex-prefeito, o ex-detento, Graciliano. O Graciliano avesso às exclamações porque não era idiota para se espantar à toa; às reticências porque se há o que ser dito, pois então que o seja; e aos “quês”, as grandes e verdadeiras pragas.

Dos tantos retratos exibidos por Ricardo, dois consolam minha alma. O primeiro, quando Graciliano pede a Ricardo que revise a segunda edição de Angústia porque se continuasse ele próprio revisando-a, certamente tal edição sairia em branco. Se nem ele gostava dos seus escritos deslumbrantes, quem sou eu para gostar dos meus. O segundo, da sua amizade tão íntima e pessoal com Zelins. Este chegado à direita, ele, à esquerda. Não há registros de que esta discordância os levasse a xingamentos, ataques pessoais ou afastamento por “divergência de valores”. Os valores eram os mesmos, queriam ambos o bem-estar geral, a dignidade mínima. Não pelos mesmos meios, apenas. Quando Graciliano saiu da prisão, foi Zelins quem lhe deu abrigo. O par, a concordância cega e absoluta, o aplauso fácil e irrestrito não serviam de base àquela amizade. O respeito à existência do outro, à sua história e às suas possibilidades, sim.

Isso, nos dias de hoje, parece invencionice, ficção. Conhecemos pessoas desde a infância, às vezes, frequentamos suas casas, convivemos com suas famílias. Sabemos de sua hombridade, de sua retidão. Mas, ao descobrir em quem votaram nas últimas eleições, todo o lastro visto e vivido escoa pelo ralo, reduzindo os até então amigos a rótulos e julgamentos rasos, pobres e irresponsáveis. Os maiores erros da humanidade, como o nazismo, o fascismo, o comunismo, o holodomor, que não devem ser apagados ou esquecidos para que nunca se repitam, assim como a própria descontextualização da história, foram banalizados e postos à mesa junto a uma porção de batatas fritas – servidos em abundância nauseante mesmo a quem lhes imprime maior força de repulsão. Não é inteligente, nem engraçado. Não merece louvor, sequer faz sentido. Aliás, na ausência de sentido, sigo na dissidência, porque, como bem disse Graciliano, “se a igualdade entre os homens – que busco e desejo – for o desrespeito ao ser humano, fugirei dela.” Eu também, Mestre Graça. Eu também.

DE VOLTA PARA O FUTURO

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Entre as poucas variações de atividade e cenários a que o confinamento tem me submetido, memórias da infância e da adolescência – nem sempre agradáveis -, insistem em ressuscitar. Há poucos dias, por exemplo, o meu ingresso no ensino fundamental veio à tona. Meu início no ensino infantil também. Tratemos deste último primeiro.

Não são extensas, nem variadas as lembranças do início de minha vida escolar. Do meu primeiro contato, especificamente, só lembro desta cena: minha mãe me entregando a uma professora simpática, que parecia feliz em me ver. Talvez eu estivesse atrasada, já que a sala estava cheia de crianças brincando em mesas coletivas. A professora me deixou à vontade para escolher onde sentar. Decidi por uma das cadeiras vagas, próxima à cabeceira, de uma mesa de meninas. Havia ali, à minha frente, um punhado de brinquedos esquecidos, desinteressantes aos olhos das outras, escolhidos por ninguém. Puxei para mim uma panelinha. Imediatamente, uma colega sentada à frente, mas mais à direita, tomou-a de minha mão e disse: essa não. Do mesmo montante desprezado, peguei, então, uma bonequinha. Novamente, essa não. Permanecemos nessa brincadeira até não restar qualquer pratinho ou ursino rejeitado. Tudo o que eu toquei passou de obsoleto e desprezível para imprescindível. Não lembro de ter me chateado ou me entristecido. Lembro de ter colocado os cotovelos sobre a mesa e descansado o queixo sobre os punhos fechados, quando então a professora pôs-se diante de mim e perguntou por que eu não estava brincando. Certamente pensei na resposta, mas tenho quase certeza de que não ousei verbaliza-la ali. Ela, então, puxou a cadeira vazia, sentou-se à minha frente e com seu antebraço trouxe ao meu alcance os brinquedos que me foram tomados e mais alguns. Não foi ali que me ensinaram a reivindicar direitos, nem foi ali que aprendi a me defender. Tanto conhecimento construído ao longo de séculos, tanto conhecimento encapsulado em livros de todos os tipos, tanto conhecimento à disposição dos que deveriam nos guiar, mas ali, na escola, não podiam encurtar o caminho e me dar algumas respostas. Eu deveria deduzi-las por conta própria, praticamente percorrendo o longo caminho das gerações anteriores, de pensadores anteriores, dos corajosos do passado que puseram uma hipótese à prova e facilitaram a vida dos que vieram depois. Não a minha, como se vê. Porque não foi ali que me ensinaram uma série de coisas, nem foi ali que deduzi umas tantas soluções. Foi depois. Muito, muito depois.

Já maiorzinha e alfabetizada, comecei o antigo primário pelo primeiro degrau de um colégio enorme e tradicional, de onde eu só deveria sair para entrar na faculdade. Como em A Cidade e os Cachorros, de Vargas Llosa, os mais novos eram os cachorros, humilhados pelos mais velhos até passarem ao ano seguinte, desatados do lugar de calouros. Eram muitas as práticas de subjugação, mas a que recordo com mais clareza é a “cusparada”. Todo santo dia alguém entrava na sala com a camisa molhada por tentar se limpar das nojeiras dos veteranos. Aliás, ter apenas a camisa suja era coisa de afortunado. Muitos recebiam o escarro no rosto, nos olhos, no cabelo. Pessoalmente, nunca fui escarrada. Era proibido atacar as meninas. Direitos iguais não eram tão alardeados naquela época e esse desequilíbrio nos conferia, a mim e às demais, um privilégio, uma proteção. Não o suficiente para que eu sentisse que não havia o que temer. A mim, sempre houve o que temer. Afinal, só Deus sabia quem havia criado aquela norma, quem fiscalizava seu cumprimento e quem vigiava a idoneidade do fiscal. Quando formavam um corredor polonês para desferir tapas e pontapés nos meninos, acontecia de uma menina receber uma cusparada reflexa, não intencional. Nessas horas, nos uníamos. Não para contra-atacar, nem mesmo para autodefesa. Nos juntávamos para sonhar. Para desenhar oralmente e almejar o paraíso na Terra, a paz mundial, a liberdade, igualdade e fraternidade reservados aos integrantes da segunda série.

No ano seguinte, lembro do semblante leve e destemido que exibíamos. Parecíamos todos libertos e recém chegados à Terra Prometida. Extasiados. Embevecidos. Encantados. Iludidos. Não demorou muito para meus contemporâneos tomarem para si a posição de carrascos. Pareciam esquecidos do quão dolorosa havia sido toda a humilhação do ano anterior. Pareciam alheios ao sofrimento, ao terror da constante ameaça. Idiotas. Nunca quiseram ser livres, eles próprios. Nunca quiseram vagar em paz, gozar do direito de ser e do de não ser. Nunca quiseram passar desapercebidos pelas escadarias. Sempre quiseram a manutenção do horror, da tirania. Não desejaram o pior a seus algozes. Nunca se dirigiram a eles diretamente ou deles se vingaram. Desejaram seus postos, apenas. Para exercer o poder que ele oferecia, para reproduzir contra terceiros a coação que até outro dia lhes ocorria. Idiotas.

Outro dia, me recusei a retornar à oitava série. Hoje, gostaria de não reviver o ensino infantil, onde os que supostamente mais sabiam intervinham como se soubessem tanto ou menos do que um de nós. Hoje, também, gostaria de esquecer o primário, época em que a expectativa de paz e o desejo de evolução moral não serviam para muito mais que a manutenção da própria guerra, num ciclo de retroalimentação entre vítimas e malfeitores – faces de uma mesma moeda. Mas já voltamos para lá, não é? Já nos empurraram escadaria abaixo, escarrados e subordinados às promessas falsas de sempre, aos sonhos irrealizáveis de sempre. Cara-a-cara com o primeiro degrau, novamente, não nos resta muito: permanecer tombados, estatelados, derrotados por fantasias privadas de sustentação ou, como os cachorros, lamber as próprias feridas, mirar no último degrau, onde está o futuro e, sem vacilar, voltar a subir. Eu estou pronta. Mais alguém?

PAIS, LEITORES CRÍTICOS: O VERDADEIRO PRIVILÉGIO


Embora a imposição de estar em casa em tempo integral nos dê a falsa impressão de mais tempo disponível, sinto, pessoalmente, que mesmo dormindo mais tarde e acordando ainda mais cedo que o usual, falta-me tempo para a execução de todos os meus afazeres. Não por ter mais e novas demandas. As minhas, pelo menos, continuam as mesmas. Mas muito mais por ter encaixado entre um afazer e outro a maior ilusionista temporal de todas, a leitura. Dos efeitos colaterais da quarentena, a leitura em série tem sido o que mais me agrada.

Diminuí o desperdício em redes sociais e passei a ler um livro atrás de outro. Coloquei minha grande fila de espera para andar. Um dos que li recentemente, O Mundo Assombrado pelos Demônios, de Carl Sagan, é a minha recomendação do dia. Sagan já me era familiar em razão das lembranças de meus pais do período em que moraram fora e assistiam ao seu brilhantismo na TV. Ele foi um dos maiores defensores do pensamento cético e da desmistificação da ciência para leigos. Já nas primeiras páginas, nota-se que era mesmo um craque no que fazia.

Sagan revela, logo no início, não ter aprendido as coisas mais essenciais com os seus professores da escola, nem mesmo com seus mestres universitários, mas com seus pais, que nada sabiam sobre ciência, mas estimulavam sua curiosidade, principalmente, pelo exemplo da leitura.

Minha identificação foi imediata.

Primeiro, porque essa foi também uma das grandes sortes que tive na vida. Observar a quietude e a concentração de meus pais lendo o que quer que fosse despertava em mim a curiosidade de saber que graça havia naquele folhear de páginas. Ainda, uma das grandes, senão a maior lembrança afetuosa da infância é a memória de meu pai lendo Histórias de Alexandre, de Graciliano Ramos, por uma pequena sucessão de noites. À exceção da obrigatoriedade de buscar toda palavra desconhecida no dicionário, essa é das bagagens mentais que mais gosto.

Segundo, porque foram eles também que impuseram a mim e a meu irmão essa última lembrança, já não tão agradável, já bem mais maçante: a busca pessoal pelo significado de palavras novas, inicialmente; a busca pelos fatos, pelo outro lado, pela verdade, por fim. Era chato. Era cansativo demais. Se eles já sabiam a resposta, porque não a entregavam logo e acabavam com aquele martírio?

Nada me foi mais útil.

Os gatos pingados que leem isso aqui passaram pela alfabetização, obviamente. Muitos terminaram o ensino médio. Alguns colecionam diplomas e certificados. Não sei quantos, mas certamente não todos se deram conta da distância que há entre notas e inteligência, entre criação e reprodução, entre o que dizem seus títulos e o que são.

Eu, por exemplo, entendi logo cedo que só seria premiada com boas notas e várias estrelinhas em determinadas matérias se entregasse ao professor, através da minha caligrafia, o que ele queria, o que ele pensava, o que ele dizia univocamente. Quando ainda me achava livre para defender as conclusões a que chegava das coisas que lia, via e ouvia fora dali, escrevi uma redação questionando a provisoriedade da CPMF, que estava sendo prorrogada àquela época e sobre a qual todos falavam na TV. Empregar o termo ‘provisório’ numa cobrança que não trazia em si o seu fim não fazia dela provisória, escrevi. Questionei também a cobrança de tantos impostos, mediante a promessa de serviços públicos que, quando prestados, eram sabidamente ineficientes. Acrescentei a frase preferida de minha mãe: “tudo é pago em duplicidade”. Dias depois, recebi minha prova sem qualquer marcação em tinta vermelha que justificasse aquela nota tão ruim. Perguntei a razão daquilo ao professor que me respondeu apenas: não está boa. Contei aos meus pais com tristeza o que havia acontecido e, sem qualquer vacilo, me entregaram a solução mais pragmática possível: “repita o que ele disse em sala, diga o que ele quer ouvir e seja aprovada”.

Nenhuma receita de bolo deu mais certo para mim do que essa. Até experimentei escrever livremente muitos anos depois, na faculdade, o ambiente dito propício a essas coisas. Fim do semestre, aula de Penal I, o professor, doido pra se ver livre das inúmeras correções que antecediam as férias, informou-nos como se daria nossa última avaliação: uma redação contendo nossa opinião sobre a liberdade. Ingênua, expus exatamente o que pensava. Comecei com “somos livres como uma folha de papel pautado, cheia de bordas e limites que não podemos transpor”. Terminei com “não é porque podemos escolher entre duas alternativas ruins que somos livres”. Recebi a nota mínima a não estragar as férias do professor, novamente sem qualquer correção ou contestação em vermelho, e, com ela, a confirmação de que eu não era mesmo livre.

Volto a Carl Sagan. Assim como ele, sou grata aos meus mestres, todos. Se hoje sei ler, escrever, somar, subtrair, se hoje sei que antibióticos não matam vírus, apenas bactérias, devo a eles. Meus pais não teriam me transmitido tanto com a mesma didática, com a mesma paciência. Mas, assim como Carl Sagan, de novo, agradeço ainda mais a meus pais. Por contestarem cada convicção apressada, cada certeza infundada. Por incentivarem a investigação meticulosa, a leitura de todos os lados, a escuta de todas as vozes. Ainda, por me permitirem concluir de modo diverso, por evidenciarem a discordância como pressuposto do diálogo, o erro como algo que nos é inerente.

Meus pais não foram, e não são, condescendentes – como já ouvi de bocas impróprias. Quando tentamos transpor as temíveis margens intransponíveis, fomos punidos com rigor. Nunca se tratou de condescendência. Eles foram, e continuam sendo, defensores da liberdade. Não dessa liberdade vulgar, da boca de Matilde, usada para defender autoritarismo, intervenções e imposição de narrativas à força. Mas da outra. A estrita, a real, a que nos permite ser e não ser, a que nos permite escolhas, desde que por elas paguemos o devido preço.

E, pela permissão de ser livre dentro de um papel pautado, livre, responsabilizando-me pelas minhas decisões, reconheço, sim, um monumental privilégio. Reconheço, agradeço e me esforço para honrá-lo e merecê-lo. Só não me desculparei por isso.

DE VOLTA À OITAVA SÉRIE

Que eu me lembre, tive o primeiro contato com o coletivismo na oitava série. Naquele ano, eu era líder da turma pela segunda vez, eleita pela maioria dos meus colegas sem mesmo ter me candidatado. Quem lê essa informação imagina que eu era muito querida, popular, admirada pela turma. Não era bem assim.

Naquele ano, minha turma tinha ganho mais um integrante, repetente, com ar de autoridade que despertava em muitos o encantamento de quem parecia estar à frente, de quem supostamente sabia mais – algo incoerente, vez que se ele de fato soubesse mais, não estaria ali, de volta ao passado.

Fato é que, também sem me candidatar, fui eleita por ele sua presa principal, aquela que seria diuturna e constantemente achincalhada, ridicularizada e diminuída por apelidos e brincadeiras de mau gosto antes, durante e após as aulas. Naquele ano, minha vida foi um inferno.

Adolescentes são seres em transição, não são mais crianças, mas também não possuem o discernimento que se espera de um adulto integralmente desenvolvido. Aos catorze anos, minha blindagem emocional não havia dado sinais de que brotaria um dia e sem ela, aquilo doía mais, muito mais do que eu fazia parecer.

Algo interessante, que notei na época, foi o comportamento dos meus colegas, todos de longa data. À presença do meu algoz, eram todos debochados, pervertidos, canalhas. À sua ausência, eram as mesmas pessoas civilizadas, polidas e gentis que havia anos demonstravam ser. Vez por outra, um deles me procurava privadamente para dizer o quanto estimava minha amizade, o quanto discordava do que “faziam” comigo, embora não resistisse aos risos quando a avacalhação começava. Aquela variação comportamental, no entanto, não melhorava, nem piorava o julgamento que eu fazia deles: manada. Deixavam-se conduzir sem questionamento, maquiavam a própria racionalidade e subjugavam todo e qualquer impulso em sentido contrário com a finalidade de não serem eles próprios as próximas presas ou, pelo menos, postergarem ao máximo a sua vez. É a tal da camuflagem das zebras sobre a qual Jordan Peterson fala aqui: suas listras pretas e brancas não servem de disfarce nas savanas, não passam despercebidas pelo meio em que vivem, mas enganam bem seus predadores enquanto grupo. Quem não se destaca, não vira presa – a máxima que regula as zebras, a máxima que regulava meus colegas da oitava série.

Olhando para trás, chego a ser grata por ter sido presa logo cedo, por ter sido caçada, alcançada e ido a abate enquanto ainda limpava os pés no capacho da vida adulta. Foi ali, aos catorze anos, que aprendi a não levar a sério os elogios, os afagos, as declarações exaltadas de quem se diz amical, de quem se diz afetuoso. Foi ali, aos catorze anos, que aprendi a impedir que o meu interior se escandalizasse a cada nova ofensa, a cada novo dedo apontado, a cada nova rejeição. Foi ali, aos catorzes anos, que enxerguei nitidamente indivíduos, cheios de alternativas e possibilidades, fazendo escolhas em comum, unindo forças em detrimento de outro indivíduo isolado, dissidente. Foi ali, aos catorze anos, que aprendi, finalmente, a não ter a aceitação como um norte, a não esperar reconhecimento, aplausos ou, como se diz hoje, biscoitos por agir conforme o ideal de um coletivo imaginário.

Nunca, jamais, nem por um minuto, dos catorze aos meus atuais trinta e oito anos, desejei a quem quer que fosse o que não desejo a mim mesma. A liberdade de agir, pensar e falar que demando para mim é a mesma, sem qualquer fração a menor, que desejo a todo e qualquer ser humano. Omitir-se, exceder-se, agir como zebras enterrando a lógica e distorcendo os fatos para servir de suporte ao plano de poder alheio, ou para ganhar “likes“, seguidores e alimentar-se da admiração de boçais, assim como reduzir próximos e remotos a rótulos execráveis que em nada se assemelham aos seus significados também são itens do cardápio – caros, porém disponíveis a quem puder e quiser pagar por eles. Eu não posso. Eu não quero. Eu me recuso. Eu me recuso a optar por qualquer deles. Eu me recuso a obedecer a lideranças abjetas. Eu me recuso a seguir a manada hipócrita. Eu me recuso, principalmente, a reviver a oitava série.