OLHOS IMPRÓPRIOS

sean-benesh-Pod30xdRkUg-unsplash

Photo by Sean Benesh on Unsplash

Quando eu era criança, uma dúvida sempre me acompanhava: será que o que via era o mesmo que todo mundo via? Será que uma mesma laranja poderia ser diferente para mim e para outra pessoa?

Dia desses, experimentei me ver por olhos impróprios.

Primeiro, quem me descrevia destacou dois ou três fatos sobre mim que, antes, não me pareciam visíveis a olho nu. Mas fatos são fatos. Denotam. Têm relação direta entre significado e objeto. E, por serem fatos, não me chegaram como elogio ou afago, embora acredite que essa talvez tenha sido a intenção. Depois, trouxe à mesa uma série de afirmações a meu respeito com base em evidências de ouvir-dizer, opiniões que não se fundam em provas e uma dose generosa de afronta.

Escutei tudo curiosa e pacientemente. Aquele espelho, entretanto, não parecia refletir uma imagem familiar. Não revelava meu invencível lado B, menos ainda meu lado A. Ao contrário, estampava recortes anaglíficos do locutor. Da sua constituição demasiadamente crédula, demasiadamente sugestionável. E, embora seu tom insinuasse certa autoridade àquele vômito de ultrajes, uma porção desmedida de sua ingenuidade saltava aos olhos.

Mas, como Alexandre, de Graciliano, tenho os olhos virados para dentro e, após alguns minutos de conversa, dei início a uma expedição em direção ao que tenho de mais profundo e entranhado. Revirei vísceras, coletei miudezas, escavei e aspirei todo e qualquer achado. Não intentei, com isso, rebater o locutor com críticas pessoais. Não cogitei desrespeitar ou desautorizar seu testemunho, embora não relutasse à falibilidade humana. Pretendi apenas encontrar restos fossilizados que comprovassem a existência do que estava sendo dito. E só então, com evidências em mãos, formar uma opinião.

Apesar de comoventes, e aparentemente sinceras, nada ali demonstrava serem aquelas alegações reais e autênticas. Não havia qualquer sinal de vida, atual ou pretérita, que as validasse. O que originou aquela criação então? O que adubou e fertilizou aquela narrativa imaginária? Quanto tempo foi empregado até que ela germinasse, florescesse e frutificasse em tão elevado grau de sofisticação? O que havia de inebriante em evadir-se  da realidade para depreciar e propagar invencionices de quem nada lhe fez e nada lhe deve? O que há na mera existência de alguns que ofende tanto?

O que ouvi importunou meus ouvidos como um discurso em português ruim. Entendi a mensagem, embora tenha refeito mentalmente a sua melhor transmissão. E, em meio a tal revisão textual, voltei à infância. Questionei meus sentidos, duvidei de percepções universais. Conclui que, sim, eu vejo o que todo mundo vê. Laranja, para mim, é a mesmíssima coisa para você. Se chove, vemos nuvens escuras e água caindo do céu. Encharcamos o corpo, as roupas e o cabelo se a ela expostos. A opinião que formamos  a partir de sua ocorrência é que se singulariza e distingue. Mas ela não descaracteriza a chuva, não altera seu conceito, seu modo ou sua forma. Não a transforma em algo diverso a depender do nosso humor ou das vantagens que a negação de seu valor absoluto ofereça.

Não, não havia verdades ali. Ainda assim, não achei que precisasse de defesa. Saí dali com um café para levar e a sensação reconfortante de que a verdade simplesmente é, mesmo que não se busque por ela, mesmo que traga com suas revelações a frustração de um final infeliz. Todos podem buscá-la, confrontá-la, difundi-la. Todos, também, podem se opor a evidências, ofuscar a própria razão. Não se recomenda, mas também não se proíbe, idiotizar-se. E se assim alguém decide viver, o que se há de fazer?

ATA CONDOMINIAL

Esses dias participei pela primeira vez da reunião de condomínio. Moro no mesmo edifício desde meus seis anos, mas só aos 38 decidi participar.

A assembleia havia sido convocada para prestação de contas, eleição de síndico e o que mais ocorresse. O presidente da mesa sugeriu a alteração da ordem da pauta, a fim de que todos se sentissem confortáveis em votar determinados assuntos, antes da eleição. Todos acataram. Dois condôminos estavam claramente em clima de guerra. Para cada duas palavras proferidas pelo síndico anterior, dez contestações raivosas eram apresentadas pelos dois. Fizeram sugestões inviáveis. Não pensei muito e pedi a palavra. Refutei o que havia sido dito, fiz duas sugestões. Ambas foram acolhidas por unanimidade. Na eleição, os condôminos sedentos por mudança sugeriram que outro condômino se candidatasse em oposição à reeleição do síndico. Eu votei pela reeleição. Eu, minha vizinha de porta, minha vizinha de cima, um senhor do 3º andar e o próprio síndico, claro. Perdemos. Ao final, dois senhores da oposição, veteranos aqui, me viram crescer e brincar com seus filhos na infância, perguntaram se eu não tinha interesse em participar do conselho fiscal. Agradeci, mas recusei. Insistiram, então, para que eu reformulasse a convenção de condomínio e a atualizasse segundo o já não tão novo Código Civil. Aceitei com prazer. Cumprimentei os eleitos, agradeci e elogiei o trabalho do síndico anterior. Chamei o elevador e, mesmo diante do espelho, não lembrei ser mulher. Aliás, outro dia, um integrante da escória afirmou que não basta ter uma vagina para ser digna de direitos. A minha não foi sequer considerada quando de minha participação na reunião de condomínio. Não fui interrompida, minha fala foi ouvida integralmente, ninguém tentou me explicar algo que eu já soubesse ou menosprezar o que eu tinha para dizer.

Ao entrar em casa, meu marido tentava colocar nosso filho pra dormir. Fui à cozinha da forma mais silenciosa que consegui e abri um vinho. Minutos depois, ele se juntou a mim, ouviu a minha história e respondeu: “ainda bem que você foi”. E só ali, no acolhimento do seu colo, lembrei ser mulher.

*Publicado originalmente na minha conta do Instagram em 12 de fevereiro de 2020.

 

EM ESSÊNCIA, DESIGUAIS

Outro dia, assistindo aos Stories de Dani Chevalier, mãe de gêmeos bivitelinos da mesma idade de meu filho, lembrei de uma citação de Thomas Showell e direi logo mais o porquê.

Acompanho Dani há cinco anos, desde que meu filho nasceu. Como seus “gordinhos” são apenas um mês mais velhos que o meu, segui-la era uma forma de me antecipar e conhecer um pouco do que estava por vir. Nos desajustes do puerpério, buscava no futuro próximo que ela representava o consolo de que, sim, as coisas tendiam a melhorar.

Bebês choram. Fato. É assim que se comunicam. Lembro, porém, de uma observação interessante feita por Dani sobre um dos meninos chorar mais que o outro. Lembro também do seu esforço em manter-se justa e permitir que ambos tivessem sua atenção de forma equânime, mesmo visivelmente exausta pelas demandas que a amamentação exclusiva e em livre demanda impõe – sempre bom fazer esse tipo de ressalva nesses tempos em que muitos estão dispostos a desqualificar o outro, a conduta do outro, o amor do outro.

Nos Stories que mencionei acima, Dani relatava, com riqueza de detalhes, a diferença de personalidade dos meninos. Mesmo frutos do mesmo pai e da mesma mãe, nascendo da mesma barriga, no mesmo dia, expostos aos mesmos estímulos, frequentando a mesma escola, a mesma turma, respondem a praticamente tudo de maneira bastante distinta. Enquanto um é bom de boca, o outro é seletivo. Enquanto um ama esportes, o outro, artes. Enquanto um lê melhor que a média, o outro desenha com maestria. É aqui que entra Thomas Sowell.

Thomas Sowell diz não ser realista esperar igualdade de desempenho em divisões sociais amplas e profundas, já que nem mesmo criaturas nascidas dos mesmos pais e criadas sob o mesmo teto a atingem. Se essa régua não faz a medição da maioria das casas, fico genuinamente feliz. Na de Dani, e também na minha, ela parece bem acurada e abre espaço para uma consideração.

Discute-se a validade do mérito nas conquistas humanas, como se ele apenas pudesse se apresentar em experiências concorrentes entre A e B, sobrevindo A e B das mesmas bases. Sim, há mérito nas conquistas de quem, criado sob as mesmas condições e exposto às mesmas oportunidades, triunfa por esforço extra, por escolhas acertadas. Mas, se B, negro, pobre, quinto filho de mãe solteira, único irmão a concluir o ensino fundamental, ingressa sem incentivos e se forma em Harvard com distinção, fazendo A, seu diametral oposto, comer poeira, sua vitória não se dá por mérito? Dá-se, então, por quê? Sorte? Privilégio divino? Disposição favorável dos astros?

Eu vejo merecimento. Eu vejo um supramerecimento. Vejo um desejo forte e autêntico, um querer convicto e insone, que aceita e percorre rotas alternativas até encontrar aquela que o levará a seu intento. Mas concordo que ele não atua sozinho. Não basta querer, não basta acreditar. As leis da vida não foram escritas pelo roteirista de Lua de Cristal. É preciso agir, é preciso agir apropriadamente. É preciso se implicar no propósito. É necessário respeitar o tempo próprio das coisas. O tempo de plantar, o tempo de colher. Mas, mais uma vez, não é só isso. É preciso, ainda, uma dose de resignação. Àquele poder inominado que vê graça em nossa unicidade, que flerta com o que temos de insólito. Àquele código natural que faz diferenças, que prefere um indivíduo a outro, que confere destinos antagônicos mesmo a gêmeos univitelinos, seres geneticamente iguais, como eu e minha irmã. Àquele que manda e desmanda sem prestar garantias. Aliás, não posso acreditar que mesmo estando o mundo de joelhos ante a ameaça de um agente microscópico, ainda haja quem não acredite e não se sujeite a ele. Você é um deles?

RONDA

kenny-luo-D6zgp87zfpM-unsplash

Photo by Kenny Luo on Unsplash

Do lado de cá do mundo, este talvez seja o tempo em que ao maior número de pessoas é dado o direito de experimentar a liberdade. Há muitos embaraços ainda, muitos entraves, mas é possível escolher entre um número muito maior de opções hoje do que nos anos 20, por exemplo.

A internet, que para meu filho de 5 anos compõe o universo físico assim como o ar, o fogo, a água e a terra, possibilitou a confluência incomum de amores, o avizinhamento de distâncias, o nascimento de profissões que em nada se assemelham à clássica trindade, Medicina-Engenharia-Direito, e a compressão da arte e do conhecimento humano em dispositivos móveis.

Se o conhecimento liberta, como disse alguém, carregar enciclopédias, museus, jornais e todo o somatório do que se conhece no bolso dá voz de mando – se escolhermos usá-los, logicamente. Porque até para isso, somos livres. Podemos selecionar todas as possibilidades, parte delas, mas também nenhuma. E nem os trabalhos publicitários mais sedutores nos convencem do contrário.

Ao que parece, no entanto, há muitas amarras não visíveis a olho nu. Mesmo podendo acessar o que acrescenta, o que agrada, o que contenta, opta-se por aquilo que aborrece e não satisfaz. A mim, essa incoerência causa estranheza. Acho esquisitíssimo que alguém, ante um sem número de alternativas, escolha conscientemente a que lhe faz mal. Ante uma lista aparentemente extensa do que julga bom, nobre e digno, escolha justamente o que lhe permite escrever o maior número de críticas. Ante o gigantesco leque de oportunidades para crescer, criar, construir, decida pela pura, simples e rasa crítica. Talvez seja aí onde a chave gire. Na crítica como um fim em si.

Isto porque, mesmo livre, muito mais livre que nos anos 20, uma tropa de vigilantes marcha na estrada do menosprezo e da depreciação. Uma horda errante busca a valia existente na coragem e na loucura alheia. Vê, na ronda, uma cara forma de entretenimento. Zela, dia e noite, pelo respeito a uma bula imaginada, sem atentar que a linha de chegada está logo ali. Descambando numa acumulação de águas. Premiando quem procura um refresco com o reflexo de sua real amarra, a própria covardia.

SOBRE HUMANOS OU GADO VERSÃO PRO

hush-naidoo-ENA_oGnLx6s-unsplash

Photo by Hush Naidoo on Unsplash

“Se você não acredita na irracionalidade inata dos seres humanos, tente criar filhos”. Esse é o conselho de Thomas Sowell que eu encarei como uma piada, até me tornar mãe.

Bem antes das dificuldades acadêmicas que o homeschooling revelou, meu filho já não parecia usar a razão para atender a qualquer de suas necessidades. Chorar, de forma persistente, e ser atendido repetidas vezes pareciam mero reflexo condicionado. Não demorou muito e a sua curiosidade constante sobre tudo, principalmente sobre o que havia além das janelas, as tentativas de se debruçar sobre elas, arrastando cadeiras pela casa me mostravam que, sim, havia ali claramente a capacidade de pensar. Já a ponderação e o discernimento, bem como a orientação da conduta pela previsão da respectiva consequência – princípios vitais da razão, não pareciam ser transmitidos de forma atávica. Ainda estavam, e assim continuam, em construção.

É certo que, mais cedo ou mais tarde, com os estímulos adequados, meu filho se familiarizará às técnicas da elaboração racional. Aprenderá a pensar analiticamente, a sopesar valores e a contestar de forma argumentativa. Não é certo, no entanto, que, mesmo dominando todas as técnicas, mesmo convencido da impossibilidade de se conhecer a verdade sem questionar suas próprias crenças, eventualmente ele não cederá aos seus instintos. Ou às suas paixões. Ou ao charme de uma ideologia. Mesmo nós, décadas à sua frente, em conhecimento e experiência, vez por outra cedemos a tais encantos. Vez por outra, deixamos de nos implicar nas questões que nos dizem respeito. Vez por outra, silenciamos e nos acovardamos para manter uma posição, um ganho. Vez por outra, marchamos coletivamente em direção oposta ao que nos define para transmutar crenças infundadas em verdade. Não guiados pela razão – essa ferramenta que nos distancia das demais espécies e tanto nos envaidece, mas por emoção, sua antagonista envolvente e traiçoeira. É ela. É a emoção que nos cega, nos sabota e nos instiga à autofagia. E, de tanto nos assistir atendendo aos seus apelos, penso que talvez a distância que há entre os humanos e as outras espécies não seja tão grande assim.

*Texto publicado originalmente na minha conta do Instagram em 19 de abril de 2020.

 

PRESOS À PRÓPRIA INSIGNIFICÂNCIA

Schopenhauer disse que “cada qual suportará ou amará a solidão na proporção exata do valor do seu próprio ser. Porque na solidão o mesquinho sente toda a sua mesquinhez, o espírito elevado toda a magnitude de sua grandeza”.

Sem a maquiagem e os disfarces que a vida social impõe, somos forçados a enfrentar o espelho refletindo nossa imagem despida dos títulos e conquistas que alimentam nosso autoengano. Sim, temos um talento nato ao autoengano. Mais do que enclausurados por decreto, altruísmo ou autoproteção, estamos aprisionados ao que genuinamente somos. Alguns de nós, vivendo a insignificância como de costume. Outros, deslumbrando-se ou deprimindo-se com a sua descoberta.

Não é extraordinário como o que, há vinte dias, era de suma importância e estava na ordem do dia, de todos os dias, agora esteja dividindo espaço com meias furadas, pijamas surrados e, talvez, algumas traças na segunda gaveta do armário? Não é extraordinário que títulos e documentos guardados em pastas recicláveis – lembretes do preço alto que nos concedemos – surtam nenhum efeito, influenciem nada e ninguém dentro do espectro de habilidades que a vida nos exige hoje, em casa? Não é absolutamente extraordinária a experiência de destilar pelos poros a ausência de elevação, de valor?

Somos bons em algumas coisas. Não em tudo. Não somos tudo o que desejamos. Não somos o outro. Não somos o ideal. Somos forçados a viver o oposto do que planejamos, atuando na dianteira de forças que nos são avessas. Mas é daqui, bem daqui desta fileira, que nós, mesquinhos e grandes, enxergamos a virtualidade do especial. Estamos presos, mesquinhos e grandes, ao que somos e isso é tudo o que somos. Carnes trêmulas tateando pela vida com umbigos que cheiram mal. Vocês também conseguem ver?

*Texto publicado originalmente na minha conta do Instagram em 09 de abril de 2020.

 

ESSA BODEGA TEM DONO?

Dos oito planetas do Sistema Solar (saudades, Plutão!), a Terra foi o único que reuniu as condições ideais para que a vida, como a gente a conhece, se estabelecesse. Nesse cenário exclusivo, nos formamos de carbono e arrogância. Como seres humanos, dotados de razão e consciência, produzimos grandes feitos. Nos orgulhamos deles e, se considerarmos que a casa que nos acolhe existe há bilhões de anos, mas estamos nela há meros milhares de anos, temos motivos concretos para isso.

Fizemos muito em pouquíssimo tempo. Se tudo der certo, quando meu filho tiver apenas 18 anos, já terá sido apresentado à lei da gravidade, ao equilíbrio térmico e à reflexão da luz – um entendimento avançado de como algumas coisas funcionam, sem precisar perder um dia sequer observando maçãs caírem de macieiras. Da observação de alguns e da contestação de outros, não só entendemos o funcionamento, como criamos, a partir disso, novidades antinaturais, facilitadores da nossa estada, bem como de nossa permanência. A cada geração, vemos melhorias próprias de quem teve o privilégio de criar um documento a partir de um modelo – uma transferência de conhecimento, congelado e embalado a vácuo, realizada através da linguagem e da escrita (também criações humanas).

Olhando assim, parecemos até ter total controle sobre o que nos diz respeito. Fazemos planos, nos organizamos, nos categorizamos, nos unimos e nos segregamos, julgamos o certo e o errado. Mas vira-e-mexe somos lembrados de que não estamos no comando. Um terremoto, um furacão, um tsunami, os vírus, as bactérias, até nossas próprias células nos lembram vez ou outra que não estamos. Em tempos como o de agora, atentamos, ou deveríamos atentar, para o fato de que essa bodega, aparentemente sem ordem e sem lei, tem dono, sim. E não somos nós.

*Texto publicado originalmente na minha conta do Instagram em 13 de março de 2020.

 

RECOMEÇO

moon

A quarentena imposta pela Covid-19 tem revelado o melhor e o pior de todos nós. Lidamos com ela e cuidamos de nossa saúde, física e mental, obedecendo à reserva do possível. Forçamos uma rotina mínima, criamos novos hábitos, enterramos e desenterramos outros.

Eu, por exemplo, voltei a escrever. Nunca parei, na verdade, mas, aparentemente como efeito colateral do isolamento, volto agora a escrever neste formato.

Sem mais a dizer ou justificar, recomeço então.